3# BRASIL 22.1.14

     3#1 EU NO QUERO IR NO SEU SHOPPING
     3#2 ALOPRADOS EM FESTA
     3#3 PAGUEM PRA VER!

3#1 EU NO QUERO IR NO SEU SHOPPING
A ideia de que os rolezinhos so "protestos e de que seus integrantes querem invadir os "shoppings dos ricos"  de quem no conhece a periferia. Os rolezeiros querem  se divertir, namorar e comprar roupas de marca. Tudo bem longe da "playboyzada"
ALANA RIZZO, ALEXANDRE ARAGAO E BELA MEGALE

     Evandro Farias de Almeida  a Lala Rudge da periferia paulistana. Assim como a blogueira de moda cujo nome faz estremecer certo pblico  no caso dela, qualquer adolescente de classe mdia iniciada no tema , Evandro  autoridade no assunto. Qual? Bem, nenhum. 
     Ele no canta, no dana, no aparece na televiso e  um ilustre desconhecido para a maioria dos brasileiros. Mesmo assim, Evandro no d dez passos no Shopping Metr Itaquera nem no Tatuap, na Zona Leste de So Paulo, sem ser abordado por dezenas de meninos e meninas. So seus ardorosos fs. A notoriedade de blogueiras famosas como Lala vem de posts em que elas mostram como se vestem, se maquiam e o que acabaram de comprar. J a de Evandro e de outros dolos da internet na Zona Leste  vem dos vdeos que eles postam na rede  piadinhas ingnuas e bizarrices como aspirar uma camisinha pelo nariz e retir-la pela boca, raspar uma das sobrancelhas e tirar fotos fingindo-se de morto, com algodo no nariz. Faanhas como essas lhe renderam 13.000 seguidores no Facebook, alm de regalias como ter o crdito de seus celulares pr-pagos permanentemente recarregado por cortesia das admiradoras. Foi para conhec-las pessoalmente  e dar a elas a oportunidade de pedir autgrafos e tirar fotos com ele  que Evandro e seus colegas de fama passaram a marcar em shoppings da regio as reunies que, at o ano passado, chegavam a juntar milhares de adolescentes. Foram esses "encontros de fs" que deram origem aos hoje mal compreendidos, distorcidos e manipulados rolezinhos. 
     Eles continuam significando encontros-em-shoppings-marcados-pela internet, aos quais continuam comparecendo centenas e at milhares de adolescentes  a diferena  que esses adolescentes agora deram para  correr em bandos pelos corredores, berrando refres de funk ostentao, assustando lojistas, frequentadores e, ocasionalmente, cometendo furtos. De tudo o que se falou na semana passada sobre os rolezinhos, o maior equvoco diz respeito  crena de que eles foram inventados por pobres jovens revoltados por sua excluso da sociedade de consumo. Para comear, famosinhos e fs de famosinhos  os participantes originais dos rolezinhos  so, para usar o termo to em voga, a elite da periferia. O nico problema que tm em relao ao consumo  no o praticarem tanto quanto gostariam. Conectados e obcecados por marcas e acessrios de grife, tm o hbito de gastar com eles boa parte do salrio (o prprio ou o dos pais). 
     Evandro, por exemplo, gosta de comprar camisetas Abercrombie & Fitch e John John. O bon laranja que usava na ltima quinta-feira  o preferido entre os sete que possui  das marcas Puma, Mizuno e Nike. Ele compra as peas em outlets, que vendem colees passadas e tm preos mais em conta. Mas poderia adquiri-las tambm em shoppings luxuosos como o JK Iguatemi e o Cidade Jardim. Evandro, no entanto, nunca ps os ps nesses lugares  nem pretende faz-lo. Essa afirmao coincide com a de praticamente todos os adolescentes da periferia paulistana entrevistados por VEJA na semana passada. E contraria o que foi amplamente disseminado por neoespecialistas em rolezinho: os adolescentes da periferia, conscientizados do fosso de impossibilidades que os separa dos seus equivalentes mais ricos, estariam prontos a promover invases nos shoppings chiques  manifestaes simblicas contra os templos de consumo dos quais estariam apartados. Sobre essa possibilidade, diz Evandro: "Por que eu iria ficar duas horas dentro de um nibus para fazer compras num lugar em que tudo  mais caro e ningum me conhece?". 
     Em junho do ano passado, o at ento obscuro Movimento Passe Livre conseguiu levar s ruas uma multido de indignados que, em manifestaes multitemticas e apartidrias, se espalharam por todo o pas. O que aconteceu em seguida todos se lembram. O PT, por meio de seu presidente, Rui Falco, tentou surrupiar para si o movimento, no que foi prontamente rechaado pelos manifestantes. Em seguida, com intuito semelhante e abrindo alas para os famigerados e violentos black blocs, vieram os sem-teto, os sem-terra, os sem-causa. A partir da, fim da histria, os bem-intencionados acharam que era hora de voltar para casa. 
     O rolezinho segue caminho parecido. Na quinta-feira, sem nenhum pudor pelo oportunismo explcito, o Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto convocou o que chamou de "rolezo" diante de um shopping de So Paulo. O estabelecimento cerrou as portas antes que as coisas piorassem. Na quarta, foi a vez de a at agora silenciosa e irrelevante ministra da Igualdade Racial, Luiza Bairros (PT), tentar tirar sua casquinha. "As manifestaes so pacficas. Os problemas so derivados da reao de pessoas brancas que frequentam esses lugares e se assustam com a presena dos jovens". A ministra  certamente no por falta de tirocnio  desprezou em sua frase duas obviedades: que no  obrigatrio ser branco para assustar-se diante da viso de centenas de jovens correndo e gritando pelos corredores de um shopping e que os shoppings que foram alvo dos rolezinhos no so frequentados apenas por brancos  subentenda-se na fala da ministra, ricos , mas pelos prprios adolescentes da periferia, suas famlias e seus vizinhos. 
     No shopping de Itaquera, onde o fenmeno primeiro chamou ateno, apenas 8% dos frequentadores tm renda mensal acima de 2780 reais  33% so das classes C e D, nas quais o ganho no ultrapassa 1120 reais por ms. At agora, todos os rolezinhos que ocorreram em So Paulo tiveram como palco shoppings da periferia: os de Itaquera, Guarulhos, Interlagos e Campo Limpo. Fora desse eixo, o que houve foram tentativas malsucedidas de emular o fenmeno, organizadas pelos suspeitos de sempre  representantes de movimentos sociais em baixa e apropriadores profissionais de causas alheias. A convocao para um rolezinho no Shopping JK, por exemplo, no partiu de nenhum adolescente da periferia, mas de um professor de piano, morador de um bairro paulistano de classe mdia e apoiador do ex-ministro e hoje presidirio Jos Dirceu ("Condenada foi a democracia brasileira", postou ele no FB ao lado de uma foto do petista com o punho erguido). Da mesma forma, o chamado para uma invaso do Shopping Iguatemi de Braslia, marcada para o prximo dia 25, no teve o dedo de famosinhos da Zona Leste nem de seus fs: est sendo organizado por um estudante da UnB que participou da invaso do Congresso em junho passado. 
     "Rolezinho  para ver os parca (parceiros), curtir, comer lanche e beijar na boca", define Vincius Andrade, 17 anos, morador do Capo Redondo, na Zona Sul de So Paulo. Filho de uma assistente de cozinha, ele trabalha como assistente de dentista, diz que chega a ganhar at 1000 reais por ms e usa mais da metade do salrio para comprar as roupas de grife que ostenta, como a camiseta Tommy Hilfiger e o par de culos Oakley  tudo legtimo, j que a regra de ouro da  ostentao na periferia  que nada pode ser falsificado ("A gente v de longe quando uma camiseta da Hollister  colada e no costurada", diz a rolezeira Barbara Machado, 17 anos). Na condio de famoso da internet (tem 83.000 seguidores), Vincius j convocou dois bem-sucedidos roles, ambos no Shopping Campo Limpo  o terceiro, marcado para acontecer no dia 21 de dezembro, foi abortado pela Polcia Militar. Alm dos rolezinhos e dos passeios no shopping, ele e seus amigos so frequentadores dos "fluxos", como so chamados os bailes funk organizados no meio da rua em torno de carres com som potente e ambulantes que vendem bebidas. Usque e rum so o combustvel para a dana, assim como maconha e lana-perfume, consumidos por uma parcela menor do pblico. Uma lei municipal, sancionada em 2013, proibiu carros estacionados em ruas pblicas de emitir som alto, especialmente  noite  e a Polcia Militar passou a agir com bombas de efeito moral e balas de borracha para dispersar a multido. Na opinio de alguns jovens, isso ajudou a aumentar a popularidade dos rolezinhos. 
     Olhados como so, os adolescentes dos rolezinhos decepcionam os que tentam ajust-los aos seus moldes ideolgicos. Suas bandeiras so os bons de marca, seu interesse  se divertir e, se querem manifestar alguma coisa com as badernas nos shoppings,  apenas o pior do comportamento adolescente: irritante, egosta, inconsequente e que inclui, obrigatoriamente, o desafio a algum tipo de autoridade  
     Os black blocs j esto espalhando nas redes que vo aderir aos rolezinhos. Movimentos sociais, como os capitaneados pela ministra Luiza Bairros, tambm no parecem querer largar o osso. Assim, diante da aterrissagem de oportunistas na cena e dos previsveis excessos da polcia na hora de reprimir todo mundo, o resultado pode ser o que nem os rolezinhos at agora conseguiram produzir: tirar da classe mdia o espao que ela enxerga como um osis de tranquilidade e segurana e acabar com a diverso dos pobres de verdade, que nem bem chegaram  festa e j tero de levar a famlia para tomar sorvete em outro lugar. 

FAMOSINHO - Evandro Farias, de 20 anos, conquistou 13.000 seguidores na internet com seus vdeos bizarros; organizador de rolezinhos, ele nunca ps os ps em shoppings caros e diz que no pretende faz-lo: "Por que vou ficar duas horas num nibus para fazer compras num lugar em que tudo  mais caro e ningum me conhece?" 

OS TRENDMAKERS - Vincius Andrade, 17 anos, Fernando Csar, 17, e Deivid Santana, 18, no cantam, no danam, nem sequer terminaram a escola, mas, juntos, so seguidos por mais de 165.000 pessoas no Facebook; s usam roupas de marca, algumas recebidas de lojas locais em troca de divulgao na internet. O sorriso colorido  obra de Vincius, que fez curso de auxiliar de dentista e, por 40 reais, troca os elsticos dos aparelhos de amigos e vizinhos.

PARA CURTIR E BEIJAR - Amigos e moradores do mesmo bairro no extremo leste de So Paulo, So Miguel Paulista, os jovens da foto j participaram de vrios rolezinhos e afirmam no entender o motivo de tanta polmica em torno do assunto: " s um jeito de a gente curtir, conhecer gente, beijar e ouvir funk ostentao", diz Barbara Machado.

A "IT GIRL" DA ZONA SUL - Yasmin Oliveira, de 15 anos, publica fotos de tudo o que usa, do esmalte ao tnis  o modelo vermelho da Osklen que ela usa nesta foto custou 500 reais. "Yasmin  uma menina muito cara", reclama a me, a cuidadora e diarista Maria Silva. A cada rolezinho ela tem de renovar o guarda-roupa. Para ir ao ltimo, no Shopping Campo Limpo, gastou 430 reais. "Estou tentando comprar um apartamento, mas ela no deixa", diz Maria. 

MO NA CABEA... - Sem saber como lidar com o rolezinho, o Shopping Internacional de Guarulhos ps seguranas armados no local. Em dezembro passado, houve correria, tumulto e alguns furtos. 

"X-ROLEZO" - Na tentativa de pegar carona com os adolescentes, o Movimento dos Sem-Teto convocou um "rolezo" em frente a um shopping de So Paulo. Os participantes ganharam sanduches de mortadela, mas deram com as portas cerradas.

...E DOCUMENTO, POR FAVOR - J o JK Iguatemi tentou fazer "triagem" na porta diante de uma convocao de rolezinho no local. O chamado foi feito por um professor de piano f do ex-ministro Jos Dirceu.

COM REPORTAGEM DE PIETER ZALIS


3#2 ALOPRADOS EM FESTA
Por sugesto do ministro Toffoli, o TSE probe o Ministrio Pblico de abrir investigaes sobre crimes eleitorais. A impunidade e a corrupo saem ganhando...
HUGO MARQUES

     O PT, como se sabe,  prdigo em escndalos durante campanhas eleitorais. Nos ltimos anos, esteve no centro de alguns episdios rumorosos s vsperas de eleies. Num deles, que entrou para a histria da crnica policial como o escndalo dos aloprados, um grupo de petistas foi pilhado tentando comprar um dossi com falsas acusaes contra o tucano Jos Serra, ento adversrio do partido na disputa pelo governo de So Paulo. Graas a um trabalho de inteligncia da polcia, realizado sob sigilo, os companheiros envolvidos na trama foram pegos em plena ao, portando 1,7 milho de reais de origem duvidosa que seriam usados para pagar o papelrio fajuto. O plano era usar o material para desqualificar o candidato rival. Nas ltimas eleies presidenciais, em 2010, mais um flagrante: no corao da campanha de Dilma Rousseff, petistas montaram um grupo de espionagem cuja misso era, de novo, escarafunchar a vida dos adversrios. O bunker do grupo, financiado por um empresrio amigo que recebia verbas do governo federal, era uma casa no Lago Sul de Braslia onde tambm funcionava a coordenao da ento candidata petista. Para aloprados envolvidos em tramas como essas, o fator-surpresa de uma eventual ao das autoridades incumbidas de zelar pelo jogo limpo nas eleies  um perigo... Mas, ao menos por ora, eles tm motivo para comemorar. 
     Sem alarde, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tirou da polcia e do Ministrio Pblico o poder de abrir investigaes de crimes eleitorais. A corte decidiu que, a partir de agora, todo e qualquer inqurito para apurar infraes  lei eleitoral  de denncias de compra de votos a financiamento ilegal de campanha  ter de passar antes pelo crivo da Justia Eleitoral. Em ano de eleies para presidente, governador, senador e deputados, a deciso pode significar uma grande contribuio  corrupo e  impunidade. Para integrantes do MP e da polcia, a exigncia  um srio empecilho  tarefa de apurar os malfeitos. Primeiro, porque a necessidade de autorizao judicial tira a agilidade necessria para avanar nas investigaes. A coleta de provas sobre um crime em plena execuo pode ficar prejudicada. Alm disso, a depender do caso, o sigilo  crucial. A operao que resultou na priso dos aloprados petistas em 2006  exemplo disso. No fosse o segredo, muito provavelmente a quadrilha jamais teria sido desarticulada. 
     Um blsamo para aloprados e afins que gostam de burlar a lei e jogam sujo nas eleies, a deciso do TSE saiu dos escaninhos do ministro Jos Antonio Dias Toffoli, atual vice-presidente do tribunal. Foi Toffoli quem levou a proposta aos colegas da corte, em sesso administrativa, e conseguiu aprov-la  tudo em pouco mais de dez minutos. "A polcia e o Ministrio Pblico no podem agir de ofcio", justificou o ministro. Faltou levar em conta um detalhe: em investigaes criminais em geral, policiais e promotores podem atuar sem necessidade de autorizao prvia. Por que em investigaes eleitorais h de ser diferente? Criminosos eleitorais tm mais direitos que os outros?  bvio que no. "Trata-se de uma afronta  Constituio", diz o presidente da Associao Nacional dos Procuradores da Repblica, Alexandre Camanho. 
     Ao defender a sua proposta inovadora (e polmica), Toffoli fez questo de realar a importncia de os investigados terem pleno conhecimento da investigao. "O que no pode haver  investigao de gaveta, que ningum sabe se existe ou no", afirmou o ministro, que em maio assumir a cadeira de presidente do TSE e, como tal, ser o xerife das prximas eleies, marcadas para outubro. Toffoli, como se o sabe, foi advogado do PT e assessor da Casa Civil no governo Lula. Sua carreira jurdica sempre esteve intimamente ligada ao partido. Antes de ser nomeado por Lula como ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), cargo que lhe garante o assento que tem hoje no TSE, ele era literalmente um petista de carteirinha  foi filiado  sigla at 2012. O empenho do ministro em criar obstculos para o trabalho do Ministrio Pblico est em linha com uma bandeira prioritria de seus velhos companheiros petistas. No ano passado, o PT patrocinou a famigerada PEC 37, uma proposta de emenda constitucional destinada a proibir promotores e procuradores de fazer investigaes. A ofensiva contra o MP, alvo dos petistas desde que levou os mensaleiros s barras da Justia, caiu por terra com os protestos de junho. Agora, voltou pela via judicial  e estrategicamente adequada ao figurino eleitoral, em pleno ano de eleio. Coincidncia? 
     O procurador-geral da Repblica, Rodrigo Janot, pediu ao TSE que re-considere a deciso. O assunto deve voltar  pauta da corte no prximo ms, nas primeiras sesses aps o recesso. Caso os ministros no voltem atrs, Janot pretende recorrer ao Supremo. nico a votar contra a proposta de Toffoli, o atual presidente do TSE, ministro Marco Aurlio Mello, disse acreditar que o colega vai reconhecer que errou e propor a reviso da medida. "O ministro quis inovar e deu com os burros n'gua. Vai ter de recuar. Se ele for um juiz sensvel, vai reconhecer que claudicou, dar a mo  palmatria e propor ao tribunal que retire a clusula", afirmou Marco Aurlio a VEJA. "Se o TSE insistir, o Supremo vai derrubar isso", emendou Marco Aurlio. A festa dos aloprados, felizmente, pode estar com os dias contados. Para o bem das eleies limpa. 

ESCNDALOS ELEITORAIS
A cada eleio se renovam os escndalos, que quase sempre envolvem corrupo e pem polticos na berlinda. Em casos recentes, envolvendo diferentes partidos, o papel da polcia e do MP foi importante para identificar e responsabilizar os culpados.

CASO LUNUS (2002) - A Polcia Federal apreendeu 1,3 milho de reais na empresa Lunus, no Maranho. O escndalo levou Roseana Sarney a desistir da candidatura  Presidncia da Repblica. 
ALOPRADOS (2006) - A Polcia Federal prendeu um grupo de petistas acusados de comprar um dossi falso contra o tucano Jos Serra. Os policiais apreenderam 1,7 milho de reais que seriam usados no negcio.  
A CASA DA ARAPONGAGEM (2010) - O PT montou um ncleo de espionagem para servir  campanha de Dilma Rousseff. O bunker do grupo era uma casa em Braslia. Alguns envolvidos no plano esto sendo processados por quebra de sigilo. 
ASSINATURAS FALSAS (2013) - O MP comeou a investigar assinaturas falsificadas usadas no processo de criao do partido Solidariedade, do deputado Paulinho da Fora. A Polcia Federal instaurou inqurito para apurar o caso. 


3#3 PAGUEM PRA VER!
A cpula do PMDB ameaa deixar os ministrios.  sempre o mesmo truque. E o governo sempre cai.

     O PMDB preside a Cmara dos Deputados e o Senado, comanda cinco ministrios e est  frente de diretorias de ponta em estatais como a Caixa e a Eletrobras. Atualmente,  o principal parceiro do PT no governo, inclusive naquilo que mais interessa aos polticos: o controle dos cargos de mais visibilidade e maior oramento da mquina pblica. Essa situao privilegiada, porm, nunca foi capaz de saciar o apetite dos peemedebistas. O partido sempre quer mais, sobretudo em ano de eleio, quando sua estrutura municipal e seu tempo de propaganda na TV so ainda mais cobiados. O tucano Fernando Henrique e o petista Lula tiveram problemas com o pantagruelismo do aliado. Com Dilma Rousseff a novela se repete. Na semana passada, a presidente e o PMDB travaram mais um embate pelo controle de files estratgicos do governo. O desfecho da queda de brao ainda no  conhecido, mas  certo que Dilma, candidata  reeleio, atender os aliados pelo menos em parte.  o que dizem os prprios peemedebistas, que se apresentam como profissionais diante de uma mandatria amadora no carteado da poltica: "O problema da presidente  que, enquanto ela joga truco, o PMDB joga pquer", diz um cacique da legenda. 
     Desde o incio do mandato de Dilma, o PMDB se diz "sub-representado" no governo. Alega que a sigla trocou ministrios de primeira linha na gesto Lula, como Integrao Nacional e Sade, por outros de segundo escalo, como Turismo. Com a sada do PSB da base aliada e a declarada disposio do governador Eduardo Campos de disputar a sucesso presidencial, o PMDB retomou a ofensiva por mais espao na Esplanada, de preferncia com um sexto ministrio. O partido dava como certo o convite para assumir a Integrao Nacional. Faltou, porm, combinar com Dilma. Na segunda-feira, a presidente disse ao vice Michel Temer que a Integrao ser mantida nas mos do Pros, como parte da estratgia de contemplar o maior nmero de legendas e garantir a formao da mais ampla coligao eleitoral desde o fim da ditadura. Dilma sinalizou ainda que a tendncia  o PMDB continuar com cinco ministrios. O partido no gostou do que ouviu. Coube ao deputado Eduardo Cunha (RJ), porta-voz para os assuntos que mais tocam a alma peemedebista, orquestrar a reao. 
     Lder do partido na Cmara, Cunha difundiu a verso de que o PMDB pode entregar seus cinco ministrios e  at negociar com a oposio se no ganhar mais poder. Balela. O PMDB fisiolgico s sabe ser governo. Para aumentar a presso sobre a presidente, a cpula do partido convocou uma reunio de emergncia. Horas antes do encontro, Dilma interveio e acenou com a possibilidade de o PMDB trocar o Turismo pela Secretaria dos Portos, dona de um caixa bilionrio e repleta de projetos prioritrios. Diante de tantas cifras, a rebelio foi contida. Nos prximos dias, a presidente definir o tamanho de cada partido na reta final do governo. Seja qual for a nova pasta do PMDB, est decidido que o senador Vital do Rego (PB) ser o ministro. Vitalzinho, como  conhecido, joga (pquer) nas onze.  um s na arte poltica que tanto seduz o PMDB. Pena que no se saiba nada at agora sobre como ele pode melhorar os servios prestados  populao. 
ROBSON BONIN


